Campeonato do Mundo de Inglaterra

Weymouth – dia 5 (28Set2014)

Hoje foi dia de levantar um pouco mais tarde, não havia saída para o mar …
A generalidade dos atletas acordou um pouco mais cedo para trabalhar o seu material de pesca, ainda antes do pequeno-almoço, que estava marcado para as 08H00.

“Surpreendentemente” fomos presenteados com um English Breakfast, acho que já não conseguimos ver logo de manhã, bacon, salsichas, feijão (sim é de feijão que estou a falar, ás 07H00 ou 08H00), ovo estrelado e chá, ninguém aguenta … pensamos que é guerra psicológica. Mas tem que ser, não há mais nada.

Pelas 10H00 tivemos a reunião de capitães onde participam os capitães de equipa e os delegados, não tendo estes últimos direito a voto. Nesta reunião foram dadas indicações sobre as regras da prova e do que há de novo, ou fora do normal, como:
– é permitido encostar a cana á amura, só não se pode usar a amura como apoio no ato de recolher;
– os atletas não podem entrar na casa do leme durante a competição, apenas em circunstâncias especiais;
– não é permitido ter o telefone ligado durante a competição;
– os atletas apenas podem ter uma cana totalmente montada, é permitida uma segunda montada até ao clip, isto é, sem baixada, todas as outras só podem ter montado o carreto;
– no balde não podem estar peixes com anzóis na boca;
Entre outras.

Seguidamente foram efetuados os sorteios para os três dias de prova e para o treino oficial que se realiza amanhã. Para o treino teremos a embarcação Off Shore, que é do nível da última embarcação com que treinámos.

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Após a reunião fomos para o drama do almoço que desta vez teve nuances que não lembrariam ao português mais “marafado” (eles sabem de quem estou a falar). O nosso almoço foi canapés e mini sandes de qualidade muito aquém de qualquer coisa que possam imaginar, regados com água(depois de insistentemente pedida)… fico por aqui, sobre a comida nem vale a pena dizer mais. Só mais um pormenor, as bebidas são a pagar.

Após o nosso fausto repasto o capitão fez uma reunião com os atletas para transmissão do que se havia passado, com as devidas recomendações para que não possamos ser apanhados em algo desagradável durante a prova.

Estava a chegar a hora da saída para o desfile mas, entretanto ainda deu para descansar um pouco e de seguida fomos para o local de partida, onde nos aguardava uma linda menina com a placa onde estava escrito “PORTUGAL”. O nosso porta-bandeira o Pedro Pereira, estava irrepreensível, com elevado garbo e altivez. Empunhou o varão da Bandeira Nacional até ao momento de tocar o Hino Nacional num espaço coberto aqui em Weymouth “Pavillion Ballroom” (parece-me que é um salão de baile integrado num espaço municipal).

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Até este momento todos estávamos a brincar com o Pedro da seca que ele estava a apanhar no palco com os outros porta-bandeira, mas o melhor estava para vir.
Eis senão quando o capitão da seleção inglesa diz ao microfone: … por problemas técnicos o Hino Nacional de Portugal não pode ser tocado e dirigindo-se a mim desafiou a que fossemos nós a cantar o hino á capela. “Show no Pavillion”, a representação portuguesa não se fez rogada e entoou o Hino de Portugal de uma forma sentida e afinadíssima (sem treino ou sem rede se preferirem). É para que vejam que os portugueses nunca se “enrascam”.

Após esta peripécia o Pedro vem ter connosco e com o seu ar característico diz: “Estavam a rir-se de mim…”. A nós tudo nos acontece.
Vamos ver como corre o jantar.
Gostava de referir que os nossos atletas não deixam um momento livre, estes momentos mortos são sempre utilizados para “trabalhar” o material e equipamento de pesca. Tal não é o empenho, vontade e dedicação.

Amanhã no treino oficial é a derradeira oportunidade para fazer os últimos testes e tirar as últimas conclusões e depois… é a doer.
Parafraseando um nosso atleta: “Tomorow we go to the mar…